Muitos sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) aparecem antes dos 2 anos, mas passam despercebidos porque parecem “jeito da criança”. Observar cedo faz diferença: quanto antes vem a avaliação, mais cedo a criança recebe estímulos e apoio que ajudam no desenvolvimento.
Este texto não serve para diagnosticar. Ele ajuda você a reconhecer comportamentos que valem uma conversa com o pediatra.
Os 7 sinais
1. Não atende quando é chamado pelo nome
Por volta dos 12 meses, a maioria dos bebês vira a cabeça quando ouve o próprio nome. Se a criança parece “não ouvir” quando é chamada, mas reage ao barulho de um pacote de bolacha, vale observar com mais atenção.
2. Olha pouco nos olhos
O olhar é curto, não se sustenta, e a criança parece mais interessada em objetos do que em rostos. Muitos pais interpretam isso como timidez.
3. Não aponta para mostrar as coisas
A partir dos 12 meses, a criança costuma apontar para um avião ou um cachorro só para dividir a descoberta com você. Quando ela quase não aponta, ou só puxa a sua mão até o que quer, é um sinal importante.
4. Atraso na fala ou no balbucio
Ausência de balbucio aos 9 meses, nenhuma palavra até os 16 meses ou nenhuma frase aos 2 anos merecem avaliação. Repetir falas de desenho ou frases ouvidas, sem usar para conversar (ecolalia), também chama atenção.
5. Brinca de um jeito diferente
Enfileirar carrinhos, girar rodinhas por muito tempo ou não brincar de faz de conta (dar comida para a boneca, falar no “telefone”) são comportamentos que costumam passar como “mania”.
6. Reações fortes a sons, toques ou texturas
Tapar os ouvidos com barulhos comuns, não aceitar certos toques, ficar irritado no colo ou ter muita dificuldade para dormir podem estar ligados a diferenças sensoriais.
7. Perde habilidades que já tinha
A criança balbuciava, sorria ou olhava nos olhos e deixou de fazer isso. Essa regressão é um sinal de alerta que deve ser levado ao pediatra sem demora.
Percebi alguns sinais. E agora?
Um sinal isolado não significa autismo. O passo certo é conversar com o pediatra e levar exemplos concretos do dia a dia, como vídeos curtos e anotações.
- Peça a triagem. A SBP recomenda triar todas as crianças entre 18 e 24 meses com o questionário M-CHAT-R/F, que serve para crianças de 16 a 30 meses. Ele indica risco, mas não fecha diagnóstico.
- Use a Caderneta da Criança. Ela traz os marcos do desenvolvimento e ajuda a acompanhar cada fase.
- Conheça seu direito. A Lei nº 13.438/2017 obriga o SUS a aplicar protocolo de avaliação do desenvolvimento psíquico em crianças de até 18 meses.
- Não espere “o tempo dele”. Se houver dúvida, buscar avaliação cedo não tem contraindicação, e o apoio precoce traz benefícios.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação nº 05 – Transtorno do Espectro do Autismo. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, abril de 2019.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. SUS deverá adotar protocolo para identificar autismo até os 18 meses de idade (sobre a Lei nº 13.438/2017).
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Diagnóstico precoce para o TEA é tema de novo documento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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